Estou mal. Sinto como se os ultimos resquicios do que eu fui até o ano passado estivessem se esvaindo por entre meus dedos. O problema é que são resquícios da parte BOA que eu fui. Quando minha vida era divertida. Quando eu ria muito nos finais de semana. Quando eu era alegre. Quando eu era feliz. Quando eu tinha amigos. Quando eu tinha pessoas com quem compartilhava as coisas. Havia, obviamente, um lado ruim nisso tudo. "ruim", assim, entre aspas. Um "ruim" que eu fui levando por anos e anos porque até então, ao colocar o ruim e o bom na balança, o bom sempre tinha mais peso. Então, enquanto o bom pesava mais, eu ia ignorando o ruim. Até que eu me revoltei. Cansei. Cansei de ter tudo meia boca. Ou eu ia ter tudo, ou nada. E chutei o balde. Adivinhem o que ficou? O nada. Mas eu tava bem. Não feliz, mas bem. Porque afinal não dá pra se "meio" ter uma coisa pra sempre. Simplesmente nao dá. Pra sempre não. Tudo tem um prazo. Pois bem. Só que com isso, as várias outras coisas que se apoiavam nessa coisa boa, também se ruíram. Como uma fileira de pedras de dominó, sabe? Quando a gente coloca todas em pé e derruba uma, e aí todas as outras vão caindo? Pois é. Tudo caiu. E eu... eu tentei me manter de pé, afinal foi uma decisão consciente. Mas só eu sei a que custo consegui ficar de pé. Mas, well, consegui. Não morri. Eis-me aqui. Quase 6 meses depois, sinto como se tivesse sido todo um processo de sair do chão mesmo, para conseguir ficar de pé, ereta. Todo o processo da criança que aprende a andar. Arrastei no chão, engatinhei, comecei a dar os primeiros passos cambaleantes, depois uns passos certos e, ufa, parei de pé. Pois bem. Agora tudo ao redor começa a ruir novamente. Parece que tudo tem que zerar. Tudo. Todo o meu passado, todos os meus amigos, tudo o que eu conhecia, tudo. Mas não é isso. Não é que alguma coisa tenha que zerar. É que a vida não pára. As pessoas mudam. As pessoas evoluem. As pessoas crescem. Não do jeito que eu pensei, não do jeito que eu planejei, ou imaginei. Não. Isso não quer dizer que seja algo ruim. Não é bom e nem ruim. Isso é simplesmente a vida. E aquilo que eu "planejei" ("imaginei" é melhor) pra mim não acontece, porque a vida não é pra ser planejada. A vida não segue uma linha, ou melhor, não segue pela NOSSA linha. Então a questão é que perdi tanto, meus melhores amigos, perdi tudo, perdi coisas materiais, perdi, me perdi. A impressão que tenho é que estou zerando. Zerando, zerando. Sinto que um dos meus melhores amigos também vai tomar um rumo na vida que vai distanciá-lo de mim. Eu sei, eu sei, o que é pra sempre, é pra sempre, não há distancia que acabe com uma amizade, eu SEI. Mas não vamos negar que é MUITO MELHOR quando eu tenho o meu amigo ali, perto de mim, todas as horas. E olha que esse "perto" já nem é tão perto assim, mas ok. Mas então. Aí eu vou vendo que o circulo está se fechando e que eu vou voltando a ser o que eu era antes disso tudo. Antes, bem antes. Quando eu não gostava de mim. Eu era uma pessoa sozinha. Basicamente sozinha. Sem amigos. E eu acho que estou sendo esvaziada. Aos poucos, mas esvaziada. Como uma boneca inflável. Quando sair todo o ar, será que aparecerá alguém para me encher novamente? Ou será que não é pra deixar esvaziar? Será que eu ainda tenho forças pra isso? Ou será que não?
* Superpoder - Wonkavision
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